Oh! que saudades que tenho
da aurora da minha vida,
da minha infância querida
que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
naquelas tardes fagueiras
à sombra das bananeiras
debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
do despontar da existência!
-Respira a alma inocência!
como perfumes a flor;
a mar é - lago sereno,
o céu - um manto azulado,
o mundo - um sonho dourado,
a vida - um hino d'amor!(...)
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
eu tinha nessas delícias
de minha mãe as carícias
e beijos de minha irmã!(...)
Naquele tempo ditoso
ia colher as pitangas,
trepava a tirar as mangas,
rezava às Ave-Marias,
achava o céu sempre lindo,
adormecia sorrindo
e despertava a cantar!(...)
Casimiro de Abreu.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
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